| Dragagem: biólogo diz que Praia do Forte corre risco |
| JORNAL DE SÁBADO/RICARDO COUTINHO - 29\11\2007 |
O pesquisador Ricardo Coutinho teme pela contaminação da praia.
“A tese de que a Praia do Forte não será afetada pela dragagem do Canal Itajuru está incorreta. A falta de um estudo preliminar para o início dos trabalhos pode trazer graves conseqüências para a economia e o turismo de Cabo Frio”. A frase é do biólogo e pesquisador titular do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, localizado em Arraial do Cabo, Ricardo Coutinho.
Professor dos cursos de Pós-Graduação em Ecologia Marinha da UFF e em Ecologia na UENF e UFRJ e pesquisador da Lagoa de Araruama desde 1977, com artigos publicados em revistas especializadas do país, Ricardo Coutinho não vê com otimismo a dragagem iniciada no dia 29 de junho, pela Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla).
Segundo o especialista, a problemática da dragagem está na falta de estudos prévios sobre a laguna que deveriam ser baseados em dados atualizados. De acordo com o pesquisador, o estudo hidrodinâmico realizado pela Coppetec/UFRJ, em 2001, que aponta a necessidade de dragagens corretivas para melhorar a circulação da água na Lagoa de Araruama, não foi realizado considerando o estado atual da laguna.
“O estudo de 2001 não levou em conta os dados atualizados de batimetria (profundidade do Canal) e por isso a dragagem pode ser prejudicial pois, nos locais de água muita rasa, a draga pode , ao retirar dali a areia, remover junto as éspecies marinhas, alterando completamente as correntes” explicou ele, acrescentando que a profundidade do Canal é variável, com 0,5m na margem e chegando a 3m perto do centro. “Não sei que dados foram utilizados para realizar o estudo hidrodinâmico, contudo, atuais não foram, até porque não existem dados como esse divulgados ou mesmo estudados”.
Além das conseqüências para a própria laguna, Coutinho analisou também possíveis mudanças na Praia do Forte, já que desassoreando a Boca da Barra e aumentando a vazão da água da Lagoa para o mar pode ocorrer a contaminação, chegando até mesmo a mudar a coloração e a qualidade da água da Praia.
“O risco é biológico, econômico e turístico. Embora diga-se que não, ainda há muito esgoto sendo lançado na laguna, inclusive, o excesso de fósforo na água confirma o fato. Ao entrar em contato com a água do mar, os nutrientes presentes na laguna alimentarão outras espécies de algas que vivem no fundo do mar, como aquelas que lotam a areia quando o mar está de ressaca. Com isso, peridiodicamente, inclusive na alta temporada, o mar pode ficar impróprio para o banho”.
Segundo o pesquisador, até mesmo o índice de coliformes fecais na Praia deverá ser monitorado. “As águas da laguna vão modificar sim a coloração e qualidade da Praia do Forte. Sem os estudos preliminares que deveriam ser feitos fica, entretanto, tudo incógnito”. E se a promessa da dragagem é reviatlizar a laguna, a idéia de ser como era há 50 anos, conforme explica Coutinho, é fantasiosa.
“A tese de que a solução para a água da laguna voltar a ser cristalina é a dragagem é fantasiosa. Em um momento anterior, sabia-se que esses tipo de trabalho era prejudicial, hoje, talvez por conveniência, aponta-se como a solução. Sem dúvida, para a Lagoa e, principalmente, para quem vive dela, como os pescadores, a oxigenação vai trazer alguma vantagem, como maior quantidade de peixes. Contudo, para o lado de lá (o mar), não aponto benefícios”.
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