| ÁGUA DENTRO DE CILINDROS |
| ENIO COUTEIRO - 07\12\2007 |
Já participei de algumas "discussões" sobre conservação, teste hidrostático e recarga de cilindros de mergulho selecionei os 4 pontos mais polêmicos dessas questões.
1. Pergunta: Devo evitar deixar a água da lavagem dentro dos cilindros?
Resposta: Sim. Não deixar a água da torneira ou o nenhum outro tipo de água dentro de nenhum cilindro de alumínio ou de aço. A água dentro de um cilindro é considerada um contaminador. Se um cilindro se tornar contaminado com água da torneira, água pura, água do mar, óleo, graxa ou outras substâncias, deve ser removido do serviço, corretamente limpo, completamente seco e inspecionado, antes de retornar ao uso.
Entretanto, em alguns países, os regulamentos de alguns padrões exigem que os cilindros encontrados com água sejam condenados e substituídos imediatamente (veja a norma ISO 10461, seção 14.2).
Portanto, dependendo de onde você esteja, caso encontre água ou outros contaminadores dentro de seu cilindro, deverá cumprir com os regulamentos aplicáveis.
2. Pergunta: Se os testes hidrostáticos são efetuados com adição de água no interior do cilindro então seria válido afirmar que todos os cilindros re-testados estariam em risco de sofrer condenação ou seriam inseguros para uso?
Resposta: Não. Apesar do que dizem alguns puristas, o processo de teste hidrostático que já é utilizado há mais de 30 anos em todo o mundo, em um parque de aproximadamente 5 milhões de cilindros, não apresentou histórico de danos causados pelo sistema "hidrostático" em nenhum tipo de cilindro fabricado com nenhum tipo de material é evidente que a secagem correta dos cilindros garantirá a isenção de corrosão. Então, apesar dos pesares, baseando-se na experiência de campo da Luxfer, a corrosão da água adicionada durante os testes hidrostáticos, seja em alumínio ou aço não é o problema e sim sua correta secagem e armazenamento.
3. Pergunta: É correto recarregar cilindros submersos em tanques de água doce?
Essa é a pergunta mais polêmica e pertinente. Muitos técnicos condenam a prática do enchimento de cilindros submersos em tanques de água fria; essa corrente se diz defensora da prevenção da dita corrosão interna. A alegação é de que, o ar ao ser comprimido no cilindro aquece e, em contato com as paredes resfriadas pela água tende a condensar contaminando, dessa forma, o interior dos cilindros com água e propiciando o aparecimento da corrosão. Essa declaração é tecnicamente perfeita embora eu possa acrescentar algumas observações:
a- considerando a premissa anterior nenhum cilindro deveria ser recarregado em baixas temperaturas ambientes pois o ar frio de algumas regiões faria a troca de calor da mesma forma que a água e a condensação se formaria.
b- O fenômeno da condensação só pode ser evitado fazendo o enchimento do cilindro lenta e gradualmente de forma a se minimizar o máximo o aquecimento do ar ao ser comprimido, o que nos casos de operadoras de mergulho não é comercialmente viável.
c- Os cilindros utilizados em operações profissionais de mergulho (Escolas, Operadoras e Empresas do ramo) deveriam ser lavados e inspecionados, pelo menos, 3 vezes ao ano dependendo, é claro, do "giro" de trabalho de cada unidade e da forma como esses cilindros são recarregados, para empresas que se utilizam do sistema de "cascata" essa recomendação torna-se obrigatória.
d- As recargas efetuadas com o cilindro submerso além de aumentar a vida útil do cilindro diminuindo a elevação das temperaturas do material, proporciona, no visual, imediata identificação de vazamentos em registros e orings de "pé de registro".
4. Pergunta: Porque utilizar a água nos testes de dilatação (hidrostáticos)?
É um procedimento meramente comercial pois a água é muito pouco compressível; na prática, é quase impossível reduzir o seu volume. Sob a influência de um acréscimo de pressão de uma atmosfera técnica métrica (1atm) o volume ocupado por um litro de água, ou seja 1 000 centímetros cúbicos, diminui de cerca de 1/20 de centímetro cúbico, ou ainda, 1/ 20 000 l/atm (litro/atm). O que proporciona uma utilização de pouco volume de ar comprimido e, conseqüentemente, um tempo consideravelmente menor e um menor desgaste dos compressores.
Se alguém quiser acrescentar alguma informação pode escrever para oversea@overseadivecenter.com.br
|
|
|